Eu trabalho, cuido de filho, cuido de casa, recebo e pago contas. Uso calças, botas, cintos e até terno. Corto meu cabelo curto, posso não me depilar caso queira e posso também adorar futebol. Posso trabalhar com servente, pedreira, engenheira, eletricista ou qualquer outra profissão. Troco a lampada, o chuveiro e conserto encanamento. Tenho todos esses direitos e deveres, conquistei meu espaço mas não tirei o machismo da minha vida, ele ainda me rodeia, ele ainda é uma sombra entre várias.
Eu não posso andar sozinha ou vestir uma roupa curta. E também não posso rir alto, sair com amigos e beber. Se eu fizer isso serei considerada vulgar, abusada e estarei 'pedindo' o desrespeito.
Não tenho o direito de dizer não, de não gostar, de ficar com quem quero e sair na hora que me der vontade. Esse é um lado machista no qual a sociedade ainda cultiva e não escrevo apenas de homens, mas infelizmente muitas mulheres ainda pensam assim. É uma cultura, é uma cultura triste que ainda muitos mantem. Mudar como? pelo ponto de vista de algumas, a mulher deve ser recatada e do lar, não dando alarde de nada, obedecendo e vivendo na discrição. Em nenhum momento prego aqui a 'lei da putaria', a 'lei da gritaria' ou coisa do tipo.
Como você foi criado? Lamento em contar que fui criada num visão machista de pai e mãe, onde a mulher lava, passa e cozinha, enquanto o homem trabalha e sustenta o lar. Fui instruída a ser do lar, a não usar roupas curtas e não chegar tarde em casa, porque a moral deveria ser mantida. Fico feliz em escrever que fui desobediente e não segui a risca os conselhos me dado e fui em busca da minha verdade, do meu modo de pensar e de querer viver. E isso iria contra muita coisa que escutei desde criança. É cultural sim esse machismo que ainda vivemos, é cultural como o preconceito que muitos pregam diante da classe social, racial e civil. Mas deve ser urgentemente mudado, e isso vem de cada um, vem do modo de pensar e agir. Não pode ser considerado normal em hipótese alguma, isso é a visão que cada um tem, não posso entrar na sua mente, não posso te obrigar a nada, ninguém pode. Mas a falta de senso hoje em dia é praticamente um modismo. É uma leviandade tudo que acontece e essa aceitação pacifica, onde muitos acham normal e culpam a vitima de estar no lugar errado. E onde é o certo? Se isso acontece no metro, ônibus, dentro de casa, na rua, no mercado, na igreja, em qualquer lugar. Onde e quando isso sera considerado um pratica abominável?
Se é culpa da roupa, porque milhares de mulher na Índia, onde as vestimentas cobrem a mulher da cabeça aos pés acontecem isso? Lá a culpa é do horário, do lugar e até do vento, menos da mulher. Não só lá, em qualquer lugar do mundo. Aqui no Brasil culpam as roupas, as atitudes, culpam tudo também, menos aquele doente e maldoso que praticou.
Se é culpa da roupa, porque milhares de mulher na Índia, onde as vestimentas cobrem a mulher da cabeça aos pés acontecem isso? Lá a culpa é do horário, do lugar e até do vento, menos da mulher. Não só lá, em qualquer lugar do mundo. Aqui no Brasil culpam as roupas, as atitudes, culpam tudo também, menos aquele doente e maldoso que praticou.
O estupro é um crime hediondo, é um desrespeito a vontade da outra pessoa, é um ato desumano. Quem não enxerga isso e não percebe colocando a culpa na vitima que sofreu, por ter ficado até tarde na rua, por ter ido a uma festa e usado roupa curta, é tão doente quanto quem praticou o ato.
Não é culpa da mulher, até quando vão pensar assim? A menina, a criança ou o homossexual que sofre estupro não tem culpa, eles não fizeram NADA para isso acontecer, isso é culpa das leis brandas desse pais, é culpa do machismo propagado diante de muitos. É culpa das pessoas que não tem limites, não tem respeito, não tem juízo, é culpa dos doentes visto como vitima perante essa sociedade hipócrita.
Defendo aqui o direito de ir e vir dos inocentes, o direito de viver como bem entendem e usar o que bem querem. Defendo aqui o direito do 'não quero', o direito do 'não faz isso comigo', defendo o seu, o meu direito de viver em paz, sem medo. Não quero andar assustada e nem ter hora para chegar em casa. Quero defender até onde der e até onde consigo esse modo livre de pensar, que a liberdade sua acaba quando começa a do outro. Vamos todos a favor das vitimas, daquelas que sentem vergonha de ir atrás do direito porque são vistas como culpadas, que são julgadas e apedrejadas por muitas. O direito de viver esta com todos, existe para todos assim como o direito de escolha, vamos escolher o lado certo, o lado da verdade. Vamos lutar por todas, por todos, não vamos esperar acontecer com sua família, filha, amiga, vizinha, vamos contra essa cultura doente.
Defendo aqui o direito de ir e vir dos inocentes, o direito de viver como bem entendem e usar o que bem querem. Defendo aqui o direito do 'não quero', o direito do 'não faz isso comigo', defendo o seu, o meu direito de viver em paz, sem medo. Não quero andar assustada e nem ter hora para chegar em casa. Quero defender até onde der e até onde consigo esse modo livre de pensar, que a liberdade sua acaba quando começa a do outro. Vamos todos a favor das vitimas, daquelas que sentem vergonha de ir atrás do direito porque são vistas como culpadas, que são julgadas e apedrejadas por muitas. O direito de viver esta com todos, existe para todos assim como o direito de escolha, vamos escolher o lado certo, o lado da verdade. Vamos lutar por todas, por todos, não vamos esperar acontecer com sua família, filha, amiga, vizinha, vamos contra essa cultura doente.



